Em sua palestra de abertura do XX Congresso Paranaense de Direito Administrativo, o economista José Pio Martins, reitor da Universidade Positivo, citou alguns problemas que impedem o crescimento do Brasil.

Entre eles  o tamanho do produto brasileiro: “o que o Brasil produz é muito pouco”, afirmou, comparando o PIB per capita do nosso país (US$ 9.918) com o dos Estados Unidos (US$ 59.533). Ainda comparando com os americanos, Pio Martins destacou o segundo gargalo: a baixa produtividade.

José Pio Martins, reitor da Universidade Positivo

Mencionou uma reportagem da revista The Economist, de abril de 2014, que faz uma comparação entre o número de horas trabalhadas por pessoa e por ano: 277 bilhões nos EUA contra 150 bilhões no Brasil. Ressaltou que a produtividade do americano por hora de trabalho é de US$ 70 – enquanto a do brasileiro é quase cinco vezes menor, US$ 13,73.

De acordo com o reitor, a pobreza é mais um problema. Salientou que “não há como eliminar a pobreza com a produtividade medíocre que temos”. Para melhorar a produtividade de um país, o economista apontou quatro fatores: o capital físico (infraestrutura social); recursos naturais (que não nos faltam); capital humano (grau de escolaridade média, grau de qualificação profissional e cultura da população); e conhecimento tecnológico (o fator que mais nos afasta dos EUA).

O reitor da Universidade Positivo argumentou que o Brasil tem um gigantesco desperdício de força de trabalho. “São 12,7 milhões de desempregados, 4,8 milhões de subempregados e 5 milhões de desistentes entre a população economicamente ativa empregável brasileira, que hoje está em 104 milhões”.

Pio Martins garantiu que, para consertar o Brasil, o nosso PIB tem que crescer mais que o crescimento populacional. Afirmou que ainda emperra o país de crescer “a taxa de investimento no Brasil, que é medíocre”. Acrescentou que o setor público retira 34% da renda nacional e investe apenas 2%. Ressaltou que os déficits fiscais crônicos e uma imensa dívida pública, que chega a quase 80% do PIB, atualmente, também impedem o país de desenvolver. “A estrutura do gasto público é desastrosa, com déficits fiscais crônicos e dívida pública imensa”, definiu.

Pio Martins enfatizou que além de enfrentar alguns desafios comuns em várias partes do mundo como superpopulação urbana, envelhecimento acelerado e esgotamento de recursos naturais, o Brasil baixa produtividade, baixo capital físico e pobreza elevada.

O professor Pio também desenhou um ambiente propício para o crescimento. “Para o país crescer é preciso liberdade econômica, justiça e paz, tributação simples e moderada, boa gestão das contas públicas, estabilidade da moeda, regras claras e estáveis e simplificação das  relações trabalho/capital e Estado de Direito.

Finalizou a sua apresentação com duas mensagens: “O pessimista é aquele que descobre um problema na oportunidade”. “O otimista é aquele que descobre uma oportunidade em um problema”.